OUTRA VIDA

Tinha olhos tristes. Como os meus. Mas era uma princesa. E eu, um plebeu. Jogou cartas comigo. Perdeu. Quis revanche. Não dei. Dei-lhe um beijo. E foi bom. E foi o nosso adeus.
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E até hoje contam histórias de uma princesa tristonha. Que ainda sonha com o beijo de um viajante atrevido. Que ousou visitá-la em seu quarto proibido. Que ousou beijá-la em sua boca proibida. Que foi posto a ferros por tal ousadia descabida. Que morreu sem soltar um único gemido. E que vive ainda nos sonhos da princesa que por um segundo sonhou outra vida.

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